USP assina acordo de cooperação com a Iniciativa Global contra o Crime Organizado Transnacional (GI-TOC) para promover colaboração acadêmica sobre mercados ilícitos e crime organizado

USP assina acordo de cooperação com a Iniciativa Global contra o Crime Organizado Transnacional (GI-TOC) para promover colaboração acadêmica sobre mercados ilícitos e crime organizado

A parceria prevê seminários, pesquisas e publicações conjuntas sobre a expansão internacional do Primeiro Comando da Capital (PCC), as respostas de países de renda média ao crime organizado e a resiliência do setor privado na Amazônia

A Escola de Segurança Multidimensional do Instituto de Relações Internacionais da USP e a Iniciativa Global contra o Crime Organizado Transnacional (GI-TOC) formalizaram uma nova pauta de pesquisas, atividades técnico-científicas e eventos acadêmicos. O instrumento é um Acordo de Cooperação, que representa um marco relevante na busca de estratégias e respostas inovadoras ao crime organizado, baseadas em evidências.

Fundada em 2013 e sediada em Genebra, na Suíça, a GI-TOC é uma organização independente da sociedade civil. Ela reúne pesquisadores, profissionais de segurança pública e formuladores de políticas dedicados ao estudo dos mercados ilícitos e do crime organizado, e sua rede global de especialistas cresceu dez vezes nos últimos dez anos. 

Seu principal projeto é o Índice Global de Crime Organizado, que avalia os 193 Estados-membros da ONU em duas dimensões: o nível de criminalidade, a partir dos mercados e dos atores criminais, e a resiliência ao crime organizado. A organização mantém observatórios regionais de economias ilícitas na África Ocidental, na Europa, na África Central, na Ásia-Pacífico, no Haiti, na Eurásia, no Sudeste Europeu, na América Central e na região andina, entre outras regiões. Por meio do Fundo de Resiliência, apoia atores da sociedade civil que enfrentam o crime organizado. Também acompanha a implementação da Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional e participa ativamente de iniciativas internacionais sobre segurança, crime organizado e lavagem de dinheiro.

Para Mark Shaw, diretor executivo da GI-TOC, o acordo aproxima a produção brasileira do debate internacional. “Estamos entusiasmados em estabelecer esta parceria com a ESEM-USP, um dos principais centros brasileiros de pesquisa e inovação em políticas públicas na área de segurança pública. Esta colaboração reflete nosso compromisso compartilhado com a produção de conhecimento rigoroso, a promoção de debates públicos qualificados e o desenvolvimento de respostas efetivas ao crime organizado transnacional. Juntos, esperamos criar novas plataformas de diálogo, produzir pesquisas de alto impacto e conectar a expertise brasileira às discussões globais sobre segurança e governança.”

O evento teve como objetivo discutir caminhos para o combate ao crime organizado e para incentivar a indústria e a economia no Estado, e resultou em um conjunto de recomendações para o aperfeiçoamento de políticas públicas e normas regulatórias.

Mark Shaw, diretor executivo da GI-TOC, durante o Seminário Internacional da Cátedra Oswaldo Aranha 2025

O acordo abrange seminários e eventos acadêmicos, projetos de pesquisa, atividades técnico-científicas e produção intelectual conjunta. Entre as ações previstas estão:

  • um seminário internacional sobre a presença global do PCC, com pesquisadores e profissionais de segurança pública que acompanham a atuação da facção no Brasil, na bacia amazônica, no Cone Sul, na África Ocidental e na Europa;
  • um seminário sobre como países de renda média, como Brasil, África do Sul, Filipinas e Indonésia, vêm desenvolvendo respostas ao crime organizado transnacional, com foco em desafios emergentes, inovações institucionais e cooperação multilateral;
  • publicações conjuntas com os resultados e as recomendações de políticas públicas desses encontros;
  • pesquisas, diálogos com partes interessadas e iniciativas voltadas ao fortalecimento da resiliência do setor privado diante do crime organizado na Amazônia.

 

Fábio Ramazzini Bechara, presidente do Conselho da ESEM, destaca que o acordo reforça a estratégia da Escola. “A parceria com a GI-TOC fortalece a missão da Escola de Segurança Multidimensional de produzir conhecimento e contribuir para respostas mais eficazes ao crime organizado e aos mercados ilícitos. É mais um capítulo na internacionalização da ESEM, que amplia o intercâmbio de experiências e conecta a pesquisa desenvolvida no Brasil aos debates e às iniciativas de cooperação internacional.”

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Por Daniela Echeverri Fierro
Coordenadora de Comunicação da ESEM

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